Esce in libreria un nuovo studio, in forma di un libro, a firma del Delegato, Mons. Carlos A. Moreira Azevedo.

AZEVEDO, Carlos A. Moreira – João de São José Queirós, OSB (1711-1764): vida e tribulações do erudito bispo do Pará, na época pombalina. Matosinhos, 2014.

QueirosJoão de São José Queirós (1711-1764)

Testo in lingua portoghese della presentazione del libro:

Apresentação do livro

Obrigado a cada pessoa pela presença. O incómodo da hora e a pequenez da obra mais engrandecem a generosidade do vosso “aqui estou”.

Agradeço o estímulo provocante do P. Manuel Mendes, vosso dedicado pastor, grande responsável por este trabalho. Agradeço a sua permanente fraternidade até chegarmos aqui, bem como a recolha de material do Arquivo distrital do Porto e de Braga.

Uma palavra de gratidão é devida ao Dr. Luís Cabral, que me conseguiu a primeira foto do biografado, ao Dr. João Soalheiro que transcreveu documentos da Biblioteca de Évora, ao Prof. Fr. Geraldo Coelho Dias que me abriu o tesouro precioso de informações beneditinas e aos padres Manuel Fernando, de Alpendurada e ao Dr. Almerindo Lopes, de Arnoia, e à família Teixeira pelo livro e fotos do seu mosteiro.

Agradeço a apresentação generosa do Dr. Joel Cleto, que vos permitiu, de modo sugestivo  criar apetite para conhecer o conteúdo do livro.

Agradeço à gráfica Labgraf o cuidado posto na execução deste trabalho. À Isabel Amadeu e ao Duarte Ribeiro o meu reconhecimento.

Mais uma vez sinto-me apenas congregador de energias, exigente criador de comunhão de vontades para, com muito trabalho, atingir objetivos e obter resultados. O barco chegou ao Porto… de Matosinhos! Graças a Deus e obrigado a todos os que nele embarcaram.

Esta não é a biografia que Fr. João de São José Queirós merece. É apenas a recolha de materiais para uma futura biografia. Sirva para corrigir erros lançados por Camilo e constituir base para uma visão mais larga desta figura notável de Matosinhos.

Nascido junto ao mar, Dom João de São José estava disposto “ainda que imperfeito, a dar a vida e a fazenda pelas necessidades da Igreja e do povo” (Viagem, 480). Morreu acusado de ser ambicioso e comerciante, intriguista, mas foi sobretudo vítima de “aleivosia e ingratidão”. A sua liberdade não serviu a visão regalista de Pombal. O Itinerário encapelado da sua vida mostra que, como dizia de modo esplêndido, “mentiu a si mesma a iniquidade “ (Viagem, 479).

Se o despotismo de Pombal passou à história, há tiranias que permanecem pois Fr. João Queirós considera tirania “não acudir ao balido das tristes ovelhas desgarradas” (Viagem, 495). Interpelar os políticos, questionar as suas decisões, em nome do bem comum do Povo, não cai fora da missão dos pastores, mas apenas transforma em grito o balido dos mais débeis e desgarrados, na bela imagem de D. João.

Reduzir-se ao silêncio diplomático para sobreviver não foi a opção do ilustrado beneditino. Conhecia a necessidade de gerir pessoas eclesiásticas e civis, que na sua diocese equivalia a “temperar vigários e não destemperar directores” (Viagem, 221), como observa nas longas viagens pastorais. Mas não se acomodou.

Os seus gritos são eco dos balidos dos desvalidos. A sua erudição é serviço da dignidade humana, pois aprecia políticos cristãos “ a quem não faltam páginas na bíblia” (Carta a Pombal, 8-11-1760).

Denunciar um governo “que gasta mais do que tem no supérfluo, por isso falta para o necessário” ecoa inda hoje com atualidade, particularmente num Brasil agitado, revoltado com os gastos do futebol. Publicar livros sobre figuras do século XVIII será supérfluo? Talvez por isso a edição é de 250 exemplares. Quem decidiu a pequena tiragem da edição não acredita que haja em Matosinhos, em Portugal e no Brasil 250 pessoas interessadas nesta leitura. Veremos se teve razão!

Alguém estranhou que colocasse “tribulações” no título. Bastava vida. Mas reparem:

Quem cultivou e alimentou amizades profundas e sociais, quem resistiu a ser bispo para não perder essa rede de contactos, foi obrigado ao isolamento e solidão, nos últimos meses da sua curta vida de 53 anos. Tribulação!

Quem optou pela austeridade de vida monástica e lhe foi fiel, viu-se acusado de ambição e comércio! Tribulação!

Quem soltou a língua na crítica aos jesuítas, acabou envolvido em comparações pombalinas que o denominavam de espírito jesuitico! Assim se chamava a liberdade de atuação pastoral sem as amarras do poder régio. Tribulação!

Em Lisboa relacionou-se com excelentes amigos, mas não acertou nos colaboradores de Belém do Pará: o Vigário-geral acusou-o à Inquisição e o escrivão da câmara eclesiástica estragou-lhe o bom nome pelo abuso de esquemas comerciais. Tribulação! Um amante de livros e bibliotecas, apaixonado por leituras de ideias inovadoras, termina com enorme dificuldade de ler, doente dos olhos. Tribulação!

Não sabemos o lugar que em Arnoia serve de repouso para os seus restos mortais. Como antevia Dom João de São José para qualquer pastor, basta que descanse “à sombra da árvore da cruz e do desejo dos outeiros eternos” (Viagem, 354). Estamos certos desse descanso.

Desejo que este trabalho vos faça entrar na rede dos amigos de Fr. João de São José e apreciar a liberdade perante qualquer poder, nos ajude a ser sempre discípulos do futuro.

A todos obrigado.

+ Carlos A. Moreira Azevedo

30-5-2014, Matosinhos